O momento que vai do berçário aos primeiros anos de idade é tido a “janela de ouro” para o aprendizado humano, devido à alta capacidade do cérebro de criar conexões. Para desfrutar esse potencial desde o começo, a Prefeitura de Mongaguá, por intermédio da Secretaria de Educação (Seduc), implantou o projeto de Estimulação Precoce em todas as creches municipais, contemplando integralmente as turmas de Berçário e Maternal.
A iniciativa transforma rotinas comuns, como brincadeiras, histórias, músicas e a hora da merenda, em ferramentas de desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional. Atualmente, o programa encontra-se na fase inicial de sondagem e observação, momento em que os professores registram o dia a dia dos alunos para compreender suas necessidades individuais no ambiente escolar.
Reconhecimento preventiva
Diferente de ações tradicionais de cuidado, o foco é acompanhar de perto o desenvolvimento para agir antes que as dificuldades apareçam. A equipe técnica esclarece que o objetivo não é fazer diagnósticos clínicos ou rotular os alunos, mas sim propor intervenções pedagógicas adequadas. Todo esse processo será monitorado por intermédio de indicadores e registros sistemáticos, permitindo comparar a evolução de cada criança no espaço do tempo.
Na prática, se os educadores notarem qualquer sinal de alerta na fala ou na coordenação, o município conta com um fluxo estruturado. Primeiro, as informações são analisadas através da equipe técnica do programa, que define estratégias específicas. Caso haja necessidade, outros profissionais da rede, como psicólogas e nutricionistas, são acionados. Se o caso exigir uma investigação clínica ou avaliação que tem especialização, o estudante é orientado para as redes de Saúde ou Assistência Social, assegurando apoio integrado intersetorial para a família.
Ciência na rotina escolar
Para dar suporte ao projeto, a Seduc estruturou uma equipe multidisciplinar ligada à Educação Especial e Inclusão, composta por psicopedagogas, neuropsicopedagoga e coordenadoras de área de Educação Física e Música. Esse grupo faz visitas periódicas às unidades para orientar, mediar e acompanhar os professores da linha de frente.
No dia a dia, a estimulação realiza-se de forma lúdica. Nas práticas de musicalização, por exemplo, são usadas técnicas baseadas na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) para exercitar a memória e a fala. O educador interrompe uma canção conhecida estrategicamente para incentivar as crianças a completarem a frase, trabalhando habilidades linguísticas e de atenção.
Até o momento das refeições foi transformado em experiência pedagógica. O momento treina a autonomia dos bebês ao segurarem talheres e copos, estimula o desenvolvimento sensorial com diferentes texturas e cores dos alimentos, permitindo inclusive o toque antes de experimentar, e promove a interação social entre os colegas.
A secretária de Educação, Maria Marta Soares, destaca que o grande diferencial da iniciativa é o olhar humanizado voltado à trajetória de cada estudante desde a primeira infância.
“Mais do que observar crianças, buscamos compreender histórias e investir no futuro de cada uma delas. Na creche, não lidamos com laudos, lidamos com história. Em vez de tratarmos o desenvolvimento infantil como algo distante ou apenas clínico, nós trazemos esse estímulo baseado em evidências científicas para dentro da rotina de forma prática. Intervir com carinho e técnica logo nos primeiros anos de vida fortalece o aprendizado e prepara as novas gerações desde o berço”, afirma.
Com informações de BS9



