Caso não ocorra nova adiamento, a Polícia Federal tem mais um mês para entregar ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), o inquérito que apura suspeitas de irregularidades na tentativa de compra do Banco Master, de Daniel Vorcaro, através do Banco de Brasília (BRB).
Em 18 de março, o relator remarcou a investigação por mais 60 dias. Agora, na metade do período, os investigadores trouxeram novos elementos, que culminaram na prisão do ex-presidente do banco do DF Paulo Henrique Costa nesta semana.
Ao acatar o pedido da corporação por mais período para concluir o inquérito, Mendonça considerou a complexidade do caso, o alto volume de documentos confiscados e a necessidade de análises técnicas aprofundadas.
Uma nova adiamento do inquérito também não é descartada devido aos novos fatos que surgiram e que ainda podem aparecer no processo, além da expectativa de delação premiada de Vorcaro, que conseguirá detalhar o suposto plano fraudulento envolvendo as duas instituições e os principais operadores.
O BRB entrou na mira da Polícia Federal por suspeitas de irregularidades envolvendo a compra de ativos do Master no valor de R$ 12,2 bilhões.
A PF apura a suposta venda de falsas carteiras de crédito consignado do Master ao Banco de Brasília. Esse negócio auxiliaria o Master a melhorar sua posição financeira antes de ser vendido.
Entenda a relação entre Master e BRB O Conselho de Gestão do BRB aprovou a aquisição de 58% do capital total do Banco Master. Justiça barrou a compra, mas derrubou a decisão subsequentemente. Cade aprovou a compra. Banco Central vetou a compra. PF passa a investigar um plano bilionário de fraudes financeiras envolvendo a venda de títulos de crédito falsos através do Master. Em acareação, Vorcaro e Paulo Henrique Costa divergem sobre a procedência de carteiras vendidas ao BRB. Documentos identificam transação de seis imóveis, no valor de R$ 146,5 milhões, de supostas propinas pagas ao ex-presidente do BRB. Investigação aponta que o executivo não teria seguido práticas de governança e permitido negócios com o Master sem lastro, ou seja, sem garantia ou suporte que um ativo promove para a obtenção de crédito. Novos elementos Paulo Henrique Costa foi apreendido, nesta quinta-feira (16/4), durante a quarta fase da Operação Compliance Zero. Ele foi transferido para o Complicado Penitenciário da Papuda, em Brasília, e terá de aguardar a decisão da Segunda Turma do STF sobre o pedido de liberdade.
O ex-presidente do BRB é suspeito de corrupção passiva e lavagem de dinheiro recebido do Master para aprovar as compras de carteiras fraudulentas.
A PF reconheceu a criação e o uso de um conjunto de empresas imobiliárias como eixo de um suposto plano de ocultação patrimonial para pagar propinas.
No núcleo dessa estrutura estão o advogado Daniel Monteiro, o operador jurídico do plano, e Hamilton Edward Suaki, seu cunhado, que aparece como diretor formal das companhias — que encobririam a titularidade real de bens avaliados em R$ 146,5 milhões.
Daniel Vorcaro fica apreendido atualmente na Superintendência da PF, em Brasília, e negocia um acordo de delação premiada com a Polícia Federal e com a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O advogado criminalista Alexandre Pinto Lourenço avalia que a investigação pode estar longe do final.
“A cada dia, etapas distintas vão aflorando acerca da trama envolvendo as operações do Banco Master e todos que orbitam esse universo, como ocorre com o ex-presidente do BRB”, falou.
“O tamanho da investigação ainda não se consegue estimar, senão de que se inscreverá como uma das mais complexas e vultosas da República. Contudo, estima-se ainda prematura qualquer previsão à respeito”, acrescenta Lourenço.
Com informações Metropoles



