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O Burning Fest, acontecimento gastronômico com foco em churrasco, programado para ocorrer de quinta-feira (17) a segunda-feira (21) em Mongaguá, fica causando controvérsia por coincidir com a Semana Santa – momento em que, segundo a tradição cristã, existe abstinência de carne e um convite à reflexão. A programação inclui também apresentações covers de rock, com atividades das 12h às 23h.
Inicialmente agendado para a Praça Dudu do Samba, no Centro, o acontecimento foi alvo de críticas do padre Rogério, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, localizada próximo. Em vídeo que foi publicado na terça-feira (15), o pároco classificou a realização como uma afronta às tradições religiosas e um desrespeito ao momento litúrgico. Ele também relacionou a realização do acontecimento ao cenário político local, com eleições suplementares previstas para junho.
“É um confronto direto. Ninguém faz as coisas inconscientemente. O poder constituído se embala na Semana Santa a querer tirar proveito para autopromoção. Estou decepcionado, indignado com essa situação maldita que estão fazendo. Já não basta o sofrimento do povo dessa cidade, seja pelas causas naturais ou pela má gestão da administração pública, ainda vem escarnecer do povo de Deus, do cristianismo. Isso é para zombar, assim como Jesus foi zombado. Estão expondo a cidade ao mal”, desabafou.
Na quarta-feira (16), o padre informou que se agrupou com o prefeito interino, Luiz Berbiz de Oliveira, o Tubarão (União), que teria comunicado o cancelamento do acontecimento e pedido desculpas. No entanto, mais tarde, a prefeitura informou que o Burning Fest seria mantido, entretanto transferido para a Plataforma de Pesca Agenor Campos, no Balneário Itaguaí — mais distante da paróquia e da procissão da Sexta-feira Santa, marcada para as 16h30 no Centro.
“A palavra dele é a palavra maior no município. Se ele disse que está cancelado, acabou. E, infelizmente, eles decidiram contra a palavra do prefeito. Então, essa programação trouxe uma indignação grande a mim. Não somos contra a festa, jamais. A questão é a Semana Santa. Não é tempo de programar outras atividades, ainda mais em contradição com aquilo que nos pede esse momento de abertura, de silêncio, de oração e de jejum”, concluiu.
Em informe oficial, a Prefeitura de Mongaguá afirmou que, diante das manifestações da população, optou através da mudança de local para minimizar impactos. A gestão ressaltou que o acontecimento incluirá cardápio com peixes assados e uma paella de frutos do mar, produzida ao vivo nos dois primeiros dias. Os pratos especiais com pescados frescos buscam atender a todos os públicos e preservar uma experiência gastronômica rica e variada.
“Este evento é importante para Mongaguá, por atrair turistas e movimentar a economia local, com geração de empregos, distribuição de cestas básicas para o fundo social e valorização dos artesãos da cidade, sem custos. Vivemos em um Estado laico e democrático, no qual é essencial respeitar todas as crenças e culturas”, declarou a prefeitura.
O Santa Portal tentou novo contato com a gestão municipal para esclarecer a reunião entre o prefeito e o padre, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta matéria. O espaço continua aberto.
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Com informações de Santaportal



