Francisco Arrais e Doug Fernandes
A região da Baixada Santista, que responde por R$ 79 bilhões do PIB paulista, passou a integrar o eixo das decisões que vão definir a infraestrutura de transporte do estado até 2050. Em Santos, o Governo de São Paulo apresentou os estudos do PLI-SP 2050, plano que promete transformar desafios históricos de mobilidade e logística em projetos estruturados, com foco em novos ramais ferroviários e integração entre modais.
Com início de uma visão de longo período, o PLI-SP 2050 orienta investimentos públicos e privados com foco na ampliação da intermodalidade entre pistas, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos. Na Baixada Santista, isso significa instruir a conexão entre o planalto e o litoral, tornando mais efetivo o escoamento de cargas e o acesso ao porto.
Entre as frentes em estudo estão novos trechos ferroviários com potencial logístico, capazes de diminuir a dependência do transporte rodoviário, ampliar a capacidade de movimentação de cargas e incentivar um modelo mais limpo, econômico e sustentável. Os estudos ainda estão em fase de diagnóstico e irão embasar futuras decisões de investimento na área.
Baixada no centro da discussão logística
O encontro juntou representantes do poder público, setor produtivo, especialistas e sociedade civil na Área Metropolitana da Baixada Santista — composta por Bertioga, Cubatão, Guarujá, Itanhaém, Mongaguá, Peruíbe, Praia Grande, Santos e São Vicente — que soma por volta de 1,8 milhão de habitantes e concentra atividades decisivas para a economia paulista. A agenda integra o ciclo de escuta regional do PLI-SP 2050 e reforça um planejamento estruturado para orientar investimentos com visão de longo período.
Diferentemente de regiões com perfil industrial predominante, a Baixada Santista tem economia majoritariamente baseada no setor de serviços, impulsionada através do Porto de Santos, pelas cadeias logísticas associadas, através do comércio e através da atividade turística. Esse perfil exige soluções que garantam fluidez aos transportes, previsibilidade operacional e desenvolvimento sustentável em um território urbano e ambientalmente sensível.
O encontro em Santos integra um processo de escuta que já passou por seis regiões do Estado – de Registro (ZEE 6), Sorocaba (ZEE 4), Ribeirão Preto (ZEE 1), Bauru (ZEE 2), Campinas (ZEE 5) e São José do Rio Preto (ZEE 3) – onde vivem por volta de 20 milhões de paulistas. O PLI-SP 2050 consolida dados e contribuições regionais em diretrizes estratégicas, alinhando investimentos às vocações e desafios de cada área dentro de uma visão sistêmica para as próximas décadas.
“Estamos mudando a forma de planejar infraestrutura em São Paulo. O PLI-SP 2050 combina escuta regional, base técnica e visão de futuro para transformar demandas locais em decisões responsáveis de investimento. Não é um plano de gabinete: nasce do diálogo com quem produz, transporta e vive a logística todos os dias”, afirmou o subsecretário de Logística e Transportes da Semil, Denis Gerage Amorim.
O diagnóstico apresentado confirma o peso estratégico da área, com forte concentração no setor de Serviços, responsável por 57,7% dos empregos formais — índice acima da média estadual. Santos lidera a geração de postos de trabalho, com 222 mil empregos formais e a maior relação emprego por habitante da Baixada. Ao mesmo tempo, os estudos identificam desafios como congestionamentos, limitações de mobilidade e pressão sobre a infraestrutura urbana, reforçando a necessidade de planejamento integrado.
A metodologia do PLI-SP 2050 coordena esse trabalho em etapas que vão da caracterização socioeconômica à previsão de demanda e definição da oferta futura de infraestrutura, estruturando projetos capazes de orientar investimentos de médio e longo período baseado técnica consistente.
Para o setor produtivo, esse alinhamento é decisivo. “Quando o planejamento logístico dialoga com a realidade produtiva da região, ele gera eficiência, reduz conflitos e amplia a competitividade. A Baixada precisa de integração modal e previsibilidade para continuar crescendo de forma sustentável”, afirmou Eduardo Barbosa, diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Santos.
Em um território agendado através da força das atividades portuárias, logísticas e de serviços, discutir infraestrutura é discutir desenvolvimento regional. O PLI-SP 2050 parte do princípio de que logística não é exclusivamente obra, mas instrumento para melhorar a mobilidade, solidificar a economia e equilibrar crescimento e qualidade de vida.
“O Fórum é uma oportunidade para que os planos municipais e estaduais sejam alinhados com respeito ao interesse público, a sustentabilidade e as necessidades da população”, destacou Fábio Ferraz, secretário de Governo de Santos.
SP Pra Toda Obra
Entre 2023 e 2025, foram concluídos R$ 65 milhões em obras de conservação especial em 161,28 quilômetros de pistas como a SP 055, SP 061 e SP 148, além de intervenções de contenção de encostas e recuperação estrutural e , com previsão de mais novas intervenções previstas de R$ 3,6 milhões.
Em uma área marcada por alta pluviosidade e sensibilidade ambiental, a manutenção preventiva é essencial para preservar segurança viária, diminuir vulnerabilidades e diminuir impactos de eventos climáticos extremos. Também foram executadas obras municipais no valor de R$ 9,5 milhões
“Os investimentos seguem critérios técnicos claros, priorizando segurança viária, prevenção de riscos e impacto socioeconômico. O SP Pra Toda Obra executa as intervenções necessárias no presente, enquanto o PLI-SP 2050 assegura que essas decisões estejam alinhadas a uma estratégia de Estado para o futuro ”, destacou Bruna Donegá, do DER.
Próximos passos
As contribuições coletadas no Fórum Regional da Baixada Santista passam agora a integrar as análises técnicas do PLI-SP 2050. O ciclo de encontros regionais continua consolidando a etapa central do plano: a participação social estruturada, que alimenta modelos, previsões e diretrizes que orientarão a política de logística e transportes do Estado até 2050.
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Com informações de Santaportal


